terça-feira, 24 de abril de 2018

Descrição e prescrição

Hoje foi dia de seminário em Morfologia. Os textos propostos para os grupos tinham diferentes graus de extensão e complexidade, por isso eu podia esperar uma certa heterogeneidade das apresentações. O que não podia esperar, no entanto, era que um grupo silenciasse o texto que deveria apresentar.

O tema era concordância nominal, um assunto bastante tratado na escola e que estigmatiza o falante quando ele não marca o plural nos satélites do nome ou no próprio nome (os menino feio). Os alunos anunciaram que o texto que eles deveriam apresentar era científico, porém muito complexo, portanto iam se basear na Gramática Tradicional.

Ora, a Linguística costuma partir da Gramática Tradicional, porque ela é bastante disseminada, é a base comum, mas não serve aos propósitos da Ciência da Linguagem, já que apresenta regras de escrita ideal: o bom português - não como ele é, mas como deveria ser, se seguíssemos os bons poetas e literatos. A Gramática Tradicional é ponto de partida da Linguística para ser criticada depois, já que a Gramática Tradicional não se interessa pelo falante, pela sociedade que fala, pela língua em uso.

Na fala deles, apareceram o erro, o analfabeto que não sabe as coisas, ajudar o aluno, a regra culta. Disseram que o bom professor tinha que ter boa formação, bom senso e percepção social. Senti forte carga emotiva no grupo, como se tivessem pudores ou abjeção pessoal contra a variedade popular. Senti que a Gramática Tradicional virou Bíblia, hétero, correto, segurança.

Tive a impressão que os alunos se recusaram a reproduzir o texto em que a concordância da variante não-padrão (popular) é descrita e explicada, porque assim estariam ensinando à sua plateia como falar errado. Suspeito que não admitam que o que não é "certo" tem regras - para além de estar errado: ordem no caos? Tive a impressão de que esperavam que as aulas que se dá na universidade devem ser possíveis de ser dadas numa escola, para os alunos deles; que basta reproduzir o conteúdo e passá-lo adiante.

Mais tarde entendi que concordância nominal (e verbal) deve ser tabu pra eles, motivo de preconceito sofrido na pele. Eles entraram em Letras pra "aprender o português certo", não para refletir sobre a linguagem e por que a gente se entende quando usa a linguagem. Eles entraram em Letras porque perderam a prescrição na escola, se sentem no prejuízo.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Tchau, criancinhas

No começo, quando eu ia buscar a Agnes na escolinha (nessa em que ela está agora), ela dizia: "Tchau, kiancinhas, vou pra casa!" Agora que ela já está frequentando a escolinha faz mais de mês (tempo recorde que ela ficou seguidamente indo numa escolinha), ela fala das tias, das amigas, dos coleguinhas.

Chora quando a gente veste o uniforme nela, grita "escolinha não!", mas depois confessa que gosta de lá, das tias e dos coleguinhas. Buscar a menina na escola não é mais equivalente a salvá-la, como ela nos dava impressão nas escolinhas anteriores.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Quarentei

Cheguei aos 40 anos de idade.
Em dez dias, minha filha completa dois.
Duas arianas.
Agnes nasceu na véspera do impeachment da Dilma.
Eu completei 40 na véspera da prisão do Lula.
Dois presidentes pelo PT.
Que matemática!

terça-feira, 3 de abril de 2018

Consertar um Mac em Porto Velho

No fim de janeiro, logo depois que voltamos de férias, Agnes e eu estávamos conversando com a Oma no Skype, quando a menina no meu colo conseguiu abrir o copinho com líquido de fazer bolhas de sabão. O líquido se espalhou pelo teclado e minha mãe disse que deixou de nos ouvir por um momento. Conectei logo o HD externo, para que todos os dados fossem copiados enquanto durasse a bateria, mas ela não durou o suficiente. O teclado não respondia.

Desliguei e liguei de novo o computador, mas a primeira tela era da senha, e como nenhum botão de letra reproduzia letras, não consegui fazer mais nada.

Procurei uma assistência técnica autorizada da Apple em Porto Velho. Não tem. Tem uma especializada. Levei o computador lá. Suspeitaram que o problema fosse apenas o teclado, fizeram orçamento e encomendaram um teclado que veio por Sedex. Chegou o teclado, instalaram, mas não deu certo. Disseram que o teclado tinha vindo com defeito. Achei estranho uma peça MacIntosh ter defeito, mas mesmo assim autorizei que encomendassem um segundo teclado. Esse não veio por Sedex. Três semanas depois, quando perguntei na loja especializada se o teclado tinha chegado, o rapaz me mandou o localizador do objeto nos Correios. Vi que o teclado tinha sido postado da Santa Ifigênia (SP), o maior camelódromo de eletrônicos que conheço.

Chegou o segundo teclado, comecei a pressionar pra que consertassem logo o meu computador, afinal de contas, eu já estava fazia mais de mês sem computador. Amanhã damos uma posição. Quatro dias depois, o próprio técnico me escreveu mensagem no whats, dizendo que ele suspeitava que o problema não era somente o teclado, mas também a placa lógica. No dia seguinte, concluiu que o problema era a placa lógica mesmo, que tinha oxidado, porque agora que ele tinha trocado a placa lógica, o computador tinha voltado a ligar. Peraí, quando eu entreguei o computador, ele ligava. Mandou fotos da tela pra provar que estava funcionando perfeitamente e do teclado - com caracteres russos ocupando metade das teclas.

Briguei com o técnico e com a loja por whats e fui lá, retirar o meu computador. Ah, mas seu computador não está aqui. Nem o técnico não estava, porque era terceirizado e não trabalhava para a loja especializada no horário comercial. Dois meses depois de ter entregue o computador para a loja especializada, consegui retirá-lo. Não paguei nada (nem o correio, nem os teclados), porque eles tavam se sentindo muito mal de terem se enrolado tanto.

Peguei o telefone e liguei pra assistência autorizada da Apple mais próxima daqui: Manaus. Não aceitam computadores enviados pelo Correio nem consertam nada que tenha sido exposto a líquido, porque oxida e uma peça vai estragando a outra. Liguei pra autorizada de Brasília e o rapaz me perguntou de que ano era o meu computador. 2011. Pois então: nenhuma autorizada pega qualquer máquina mais antiga que 5 anos pra conserto. Política da Apple. Obsolescência programada.

Um orientando do meu marido, entendido em coisas de informática, me indicou um técnico que conserta peças, ao invés de apenas trocá-las. Levei lá. Todos me disseram que eu não podia dar a ele o diagnóstico anterior. Depois de duas semanas, perguntei se ele tinha encontrado o defeito. Placa mãe queimada. Imaginei que placa mãe e placa lógica são dois nomes que apontam para o mesmo objeto no mundo. Sabia que esse técnico não tinha acesso a peças Mac para trocar e fazer testes. Perguntei quanto custava uma placa mãe. R$ 1.700,00 foi a resposta.

Gastei horas e horas vendo computadores usados no Mercado Livre. Avisei ao técnico que compraria então um computador usado, igual ao meu por R$ 2.000,00. Queria colocar o HD que contém todos os meus dados no novo (usado) computador. Combinamos assim. Ele me perguntou se eu não queria vender o meu velho como sucata, já que aparece muito Mac pra ele consertar e ele não tem as peças. Concordei, mas não falamos de valores.

Investi horas pesquisando computadores. Demorei muito a peneirar as opções e depois demorei muito pra me decidir entre os três finalistas. Acabei escolhendo o mais barato, mas que tinha o frete expresso mais caro. Apertei o botão de "finalizar compra" pelo Mercado Livre e deu erro. Tentei de novo, erro. Inseri os dados do cartão de crédito manualmente. Erro. Por pura teimosia, tentei mais algumas vezes. Não deu. Escolhi outro computador. Li a descrição, concordei, apertei o botão de "finalizar a compra" achando que não daria certo, mas deu. E eu não lembrava mais o que tinha comprado. E o anúncio não estava mais disponível, já que eu tinha efetuado a compra. Fui dormir com esse barulho na minha cabeça.

Na manhã seguinte, 7:30, toca o telefone. Era o meu banco perguntando se eu tinha feito movimentações suspeitas na noite anterior. Sim, fui eu, e eu quero saber por que não consegui efetuar a compra logo de primeira. Por motivos de segurança. Achei uma droga a segurança ser o bloqueio, mas depois fiquei sabendo que meu marido teve seu cartão clonado e foram feitas muitas compras de valor alto no Mercado Livre. Ele ficou achando o meu banco muito bom.

O frete expresso significava entrega em 5 dias úteis. Numa semana que tem feriado, isso significa: semana que vem, meu bem. Eu tinha taquicardias quando passava por carros amarelos dos Correios. Não aguentei a ansiedade e escrevi pro vendedor: qual é o ano do computador que eu comprei? 2011. Ufa, igual o meu velho!

Ontem de manhã recebi sms dos Correios avisando que o computador tinha saído pra entrega às 9:40 da manhã. Minha vontade era de ficar sentada na frente de casa, esperando o carteiro, mas a família e a casa tinham demandas mais urgentes. O vendedor me mandou mensagem dizendo que o computador tinha saído pra entrega. Eu sabia que eu não receberia a encomenda. Quando Agnes e eu estávamos saindo do condomínio atrasadas pra escolinha e pra aula, vi o furgão amarelo dos Correios na primeira rua do condomínio. Marido recebeu o pacote e mandou mensagem avisando que tinha chegado.

Hoje fui lá na assistência técnica onde o meu velho computador foi declarado sucata. Ligamos o novo Mac. Sistema operacional High Sierra. O técnico desligou o computador, abriu o notebook, retirou o hd e colocou o meu velho. Ligou de novo. Tela branca por 30 segundos, daí que apareceu a maçã. Devagar, foi processando as informações. Ligou e tava tudo lá, no sistema El Capitan. Negociamos o valor do Mac sucata. O acordo em que chegamos corresponde a metade da minha proposta inicial e o dobro da proposta inicial dele. Acho que foi bom negócio.

domingo, 1 de abril de 2018

Feliz Páscoa!

Na quarta-feira, Agnes voltou da escolinha assim

Na sexta e no sábado, pintamos ovos

E hoje é páscoa!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Momo reversa

Momo, de Michael Ende, vive num mundo dominado pelos senhores cinzas. Pra Agnes, "cinza" ainda não existe.

Azul foi a primeira cor que ela denominou. Em seguida veio rosa. Depois de um tempo, apareceram verderoxo e pêtu. Depois de longo tempo de consolidação das cores que ela já dominava, vieram memelho e manelho. Grande surpresa foi marrão. Raramente aparece nalanja, e na maioria das vezes é associado à fruta. Branco entrou em algum momento como weiss.

Falta o que? Grau, gris, cinza, grey.
O mundo de Momo virá por último, por enquanto a infância é arco-íris.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Pouco antes de chegar

Eu vi a picada no meu braço, bem na dobra. Achei que era mosquito e fui invadida pela lembrança dos fatos que minha memória tinha empurrado pro porão.

Eu tava contente e achando que a viagem tava terminando e não haveria mais surpresas quando acertamos o caminho mais curto da casa do Ernesto para a Bandeirantes e quando depois, apesar de termos saído da Marginal Tietê e entrado na Dutra por engano, conseguimos acertar a Localiza, devolver o carro e fazer check-in. Daí começou a dor de cabeça e os remédios já tinham sido despachados.

Uma ginecologista em Santa Maria tinha diagnosticado que eu tenho tanta dor de cabeça, que me dá náusea e vômito. Receitou remédio pra dor de cabeça. O médico que me atendeu no hospital agora desconfiou que eu sofra de enxaqueca.

Fato é que comecei a querer vomitar no avião. Me ofereceram gelo e não consegui mais controlar a náusea e vomitei a viagem inteira, em intervalos de mais ou menos 10 minutos. Me ofereceram Dramin, tomei dois. Me ofereceram Jofix, não adiantou. É um impulso neurológico. O cheiro da comida, os chutes do menino sentado na poltrona de trás, o balanço do avião durante as turbulências, o choro da Agnes: tudo era gatilho pra vomitar o que não tinha. Quando sobrevoamos Cuiabá, me perguntaram se era pra descer. Eu não faria isso com todo mundo, o voo era direto e isso é raro.

Luis sentou em outro lugar, a comissária de bordo sentou do meu lado e ficou trocando um saquinho de enjoo usado por um novo. Fomos os primeiros a desembarcar, a equipe de bordo ficou cobrando da equipe de solo o atendimento médico solicitado assim que eu recusei o pouso em Cuiabá. Chamaram o SAMU (porque a ambulância da Unimed só em casos internos de remoção de paciente e outras exceções). Encontramos a ambulância antes das enfermeiras nos encontrarem.

Eu fui de ambulância pro hospital (claro que vomitei mais uma última vez), Luis, Agnes e as malas foram de taxi. Tomei medicação e soro na veia. Agnes não conseguiu dormir na sala de observação, nem eu. Alta madrugada chegamos em casa. Essa foi a primeira vez que as minhas náuseas me levaram (e a minha família e as malas) pro hospital. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Apabô

Durante essa viagem, Agnes desenvolveu rapidamente a fala. Ela não produz os róticos (variantes de [r]), trocando-os por [l] quando intervocálicos (ex: tila ao invés de tira) ou simplesmente omitindo-os (ex: Pêdu ao invés de Pedro). Os sibilantes também não estão estabilizados. Reparei que em palavras com 3 sílabas, a tônica é reduplicada e a primeira cancelada (sassaku ao invés de casaco/ memente ao invés de semente). Desconfio que se trate de um processo de assimilação (apabô ao invés de acabou) em que ela percebe a sílaba tônica e organiza sua fala em torno dela.

Um pouco mais de um mês fora de casa, percorrendo o litoral de Fortaleza a Ubatuba e a fala desabrocha. Em outra viagem, de duas semanas, também longe de casa (Alemanha), ela aprendeu a andar.

Nesse tempo fora de casa, a grama cresceu, o bambu no muro da Vila foi cortado, 4 dos nossos 7 porquinhos da índia morreram (chuva e mucura), o mofo tomou conta de colares e sapatos e Damián fez uma pérgola pras nossas trepadeiras.

Parquinhos

Outlet de Feira de Santana/BA
Parque da Jaqueira, Recife/PE
Parque da Jaqueira, Recife/PE
Praça do Museu de Arte Moderna - Aterro do Flamengo/RJ
Praça do Coco, Barão Geraldo - Campinas/SP
Praça do Coco, Barão Geraldo - Campinas/SP

domingo, 21 de janeiro de 2018

Pedro

Eliza, Agnes, Ernesto, Pedro e Rodrigo
A primeira paixão da Agnes foi pelo Pedro, primo mais novo dela. Isso foi em agosto do ano passado, quando pousamos em Campinas antes da grande viagem pra Alemanha.

A segunda grande paixão foi por outro Pedro, filho mais velho de Marcão e Kika, que ela conheceu em Ubatuba. Ainda com este Pedro na cabeça, foi rever o prim(eir)o Pedro e o entusiasmo não foi diferente. Pêdu, Pêdu, Pêdu pela casa toda.
Bolhas de sabão

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Infinita highway

Tínhamos calculado que era mais barato devolver o carro alugado no mesmo lugar em que foi retirado e voar para outra cidade do que pagar a taxa de deslocamento que a locadora cobra. Pegamos o carro no Rio, rodamos pra Cachoeiro e adjacências, descemos pra Macaé e seguimos pra Ubatuba pela BR 101. Relembrei a viagem de bicicleta que fiz em 2006. Os 70km entre Paraty e Ubatuba eu tinha feito em um dia. De carro dava pra fazer mais num dia, mas foi o dia todo de curvas, radares, ultrapassagens e paradas em posto. Lá fomos acolhidos por Marcão, Kika, Dona Guega, Pedro e Miguel. Agnes se encantou com o Pedro e encantou a todos.

Caímos na tentação de assumir os custos da taxa de deslocamento, já que o nosso destino seguinte era São Paulo, mas a multa de cancelamento do avião era mais cara que a passagem. Então voltamos ao plano original: subir a Oswaldo Cruz até Taubaté, pegar a BR 116, devolver o carro no Rio, embarcar no avião e voar pra Guarulhos. Foi o dia todo de curvas, radares, ultrapassagens e paradas em posto.

Olhando pela janela do avião, notei que a rota era pelo litoral. Se houvesse luz, veria a 101 serpenteando a costa. Fizemos em 45 minutos o que demoramos o dia todo pra fazer por terra.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Jurubatiba

A melhor parte de Macaé é desconhecida, de acesso pouco óbvio e mal sinalizado. Trata-se do Parque Nacional de restinga da Jurubatiba. Agnes fez um pouco de trilha, achou o máximo ter o mar de um lado e a lagoa do outro e brincou na areia do rio.
Ficamos bastante tempo observando a diversão da nossa menina. Entrava na água escura sem medo, voltava, cavava na areia, buscava conchinhas.
Parado na água, Luis percebeu peixinhos mordiscando suas pernas. Ainda tinha biscoito na bolsa, então passamos a provocar grandes disputas dentro d'água. Muito peixe é sinal de água limpa.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Vovó Madá

Agnes e Madá estão se divertindo muito. Madá lembra de muitas musiquinhas (que eu estou aprendendo agora).

Monte Verde e Pedra Azul

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A ideia era passar o dia no clube de golfe Monte Verde, mas choveu e não pudemos andar de pedalinho na lagoa, brincar no parquinho etc. e tal. Andamos de trenzinho na chuva e fizemos a trilha até a cachoeira debaixo do guarda-chuva. Essa foi a primeira cachoeira que Agnes viu.

Saímos de Monte Verde e as nuvens limparam. Voltamos por Venda Nova e Castelo e no caminho passamos pelo Parque da Pedra Azul. Tinha ali um laguinho com peixinhos que Agnes adorou. Ela aprendeu a jogar pedacinhos de biscoito com entusiasmo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Marataízes

Saímos de Cachoeiro de Itapemirim depois de umas três chuvas e duas tentativas de dar almoço pra Agnes, na certeza de que era tarde e que o tempo fecharia. Tivemos boas surpresas.
A água estava muito limpa. Vimos tartarugas perto das pedras e cardumes de peixinhos nas piscinas. As pessoas se comportavam como veranistas que saem com os filhos, e não tive o estranhamento que experienciei em Natal, onde me assombrou que todos pareciam ser muito diferentes de mim.
O mar estava calmo, a areia tinha camadas de cores e texturas diferentes, achamos conchinhas e nos divertimos com os peixinhos.
 Agnes está ganhando cada vez mais autonomia.

domingo, 7 de janeiro de 2018

AquaRio

Fomos ao Aquário do Rio e ficamos surpresos com a falta de informação sobre os peixes, o ambiente e tudo mais. A loja, no final do estabelecimento, ocupa quase um terço da área total e o visitante é obrigado a passar pela loja para sair do aquário. Fizemos questão de sair pela entrada.
Outro desconforto nosso foi em relação aos visitantes, que pareciam ver os peixes pela tela do celular. Os monitores do aquário tinham como tarefa principal disciplinar o público em sua sanha de tirar selfies: "entra, tira foto e dá lugar pro próximo", "pessoal, deixem o corredor livre, tirem fotos nas laterais".
Não percebemos no aquário uma proposta pedagógica, nem mesmo minimamente didática. Era a espetacularização dos peixes e da própria visita ao AquaRio. Apesar do nosso incômodo, Agnes adorou o passeio e ficou maravilhada com a vida marinha.

Mamãe, papai, Ánha

Com sorriso satisfeito, Agnes tem repetido "mamãe, papai, Ánha" apontando pra nós e pra si mesma. Nessas férias, em que estamos juntos o tempo todo, ela nos percebe como família. E aprendeu a se auto denominar.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Itabuna

Foto: Fran Fran
Escrever no celular é mais complicado que eu imaginava.
Foto: Fran Fran
Fran e seu amigo de longa data, Samuel, estão nos hospedando em Itabuna. Cynthia está no terreiro, em processo de iniciação. Ontem fomos a Ilhéus, onde Agnes se esbaldou na praia, areia e mar e depois dormiu profundamente no engarrafamento de volta a Itabuna.
Hoje fomos a uma fazenda de cacau. Ensinar a Agnes a cuspir a casca da jabuticaba foi mais fácil que ensinar a chupar o cacau e cuspir a semente: engoliu uma amêndoa.



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Turismo predatório

Não sei se consigo articular por escrito o que foi pensado e dito.

Nos impressionou o avanço do mar em Caponga. Nos últimos 10 anos, o mar tem avançado pra cima das casas situadas mais próximas à praia. Hoje Caponga tem uma orla povoada de ruínas de pousadas grandiosas, casas de praia projetadas por arquiteto no meio da areia e pequenas mansões abandonadas ao tempo. Quem ia construir na segunda quadra depois da praia abandonou o projeto no alicerce; e a pousada em que ficamos estava na terceira quadra, com vista para o mar. Fortaleza e outras praias grandes não apresentam esse problema, porque os espigões controlam e direcionam o mar. E quem recebe a areia toda são as praias menores, como Caponga. Mais areia: avanço do mar. Essas são as zonas de sacrifício do turismo.

A Folha publicou uma relação das condições da água nas praias de todo o litoral. Muitas praias impróprias pra banho. Todas lotadas agora na alta estação.

Sugar o máximo possível do turista, depois esperar outro turista na temporada seguinte. Esse é o mote que explica os preços astronômicos nessa época do ano em locais turísticos. Passamos uma noite em hotel em Salvador e fomos ao apartamento que Luis tinha reservado pelo Booking. Ninguém  nos atendeu, não tínhamos chave nem porteiro com quem conversar. Ligamos pra proprietária que disse que tinha cancelado o apartamento pelo Booking e alugado por outro sistema.

Ficamos na rua. Decidimos sair de Salvador na véspera do Ano Novo e viajamos a Feira de Santana. Nessa cidade, que é maior que a capital em que moramos, o Réveillon foi cancelado, porque todo mundo vai a Salvador. Não escutei fogos de artifício em Feira de Santana.

Esse turismo predatório tem a ver com o consumo de paisagens. A pessoa não sai de casa pra viver uma viagem, mas para ver uma paisagem.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Recife

Marco Zero
Aquele dito popular que o caminho se faz ao caminhar vale pros nossos planos nesta viagem. O trajeto de ônibus de Natal a Recife foi desgastante pra nós pela decepção com a qualidade do ônibus que pegamos. E acumulou asco na Agnes, que sofreu nos ônibus de Fortaleza a Mossoró e depois Mossoró a Natal. Tanto foi que acabei comprando passagens de avião pelo celular e decidimos pular Aracaju, onde passaríamos um dia apenas.
Passeio de catamarã com um Brennand ao fundo
Estive em Recife com Philip, Ruy, Ninja, Fashion (e outro rapaz cujo nome esqueci) muitos anos atrás. Philip e eu subimos de Campinas a Recife de carro em 4 dias e ficamos hospedados na casa do Ruy, que tinha vindo antes de carro com os outros. Ficamos apenas 3 dias em Recife e Ruy nos levou ao Marco Zero (e outros lugares e praias).

Perguntei por WhatsApp pro Ruy qual era o nome da melhor sorveteria do mundo e ele me ofereceu pacote completo com sugestões de passeios. Juntou o passado com o presente no tempo da era digital.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Praia de Camurupim

Demoramos pra decidir alugar um carro em Natal. Depois demoramos a negociar um destino, principalmente porque não lembrávamos de todo o nome da praia que o taxista tinha recomendado: eu lembrava de Caramuru e Luis lembrava de Curumim e Curupira.
Uma parede de pedra forma uma barreira que separa a rebentação de piscinas rasas e calminhas. Pra Agnes isso significou independência pra caminhar na água, sentar e levantar de novo. E a areia era mais fofa e limpa que em Ponta Negra, onde tem muita pedra, caco de vidro e tampinha de garrafa de cerveja. Fizemos o que os nativos fazem, e de fato tinha bem menos gente em Camurupim que no burburinho de Ponta Negra.
Os únicos ambulantes em Camurupim eram vendedores de picolé. Em Ponta Negra, o assédio ao turista é canibal: oferecem óculos de sol, protetor solar, roupas de banho, tatuagens de um dia, colares e pulseiras, comidas variadas, coco, passeios de buggy, barco, em outro lugar e até tem ambulante vendendo picolé. Achei difícil fazer cara de esfinge e evitar o olhar de cada ambulante ou pedinte. Camurupim foi o nosso presente de Natal.

Natal em Natal

Praia de Ponta Negra


domingo, 24 de dezembro de 2017

Ravinas em Lagedo de Soledade

Depois de muita insistência, conseguimos achar o museu aberto e o guia disponível. Claudio nos levou até a ravina mais próxima e nos impressionou com seus conhecimentos adquiridos sobre geologia e paleontologia.
Ver as inscrições rupestres foi emocionante, bem como manter o interesse da Agnes.

Estou postando de um Tablet, digitando todas as letras com o mesmo dedo, sem ver o que escrevo porque o teclado virtual ocupa metade da tela. Confio que as imagens digam mais que palavras.