quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Rambutã

Rambutã
Eu tinha lido no jornal que a safra de rambutã em Ponta do Abunã tinha sido boa, que a fruta viceja mais aqui do que na Ásia (de onde é originária) e que se parecia com lichia. O Kg tava R$ 11,00, então trouxe pra casa essas frutas peludinhas.
Tipo lichia, a melhor fruta do mundo
A consistência - tanto da casca como do gomo - é mais firme que lichia: usei a faca para abrir. Lichia eu descasco na unha.
Mais firme que lichia
Gostei da novidade e do fato de ser daqui de perto. Tem um tanto de coisa que a gente compra no supermercado que chega aqui cansado da viagem longa...
Caroço parece amêndoa

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Água e energia

Na semana passada, fim de janeiro de 2015, foram sorteadas 114 casas para os afetados pela cheia de 2014. Famílias ribeirinhas foram remanejadas para a zona leste da capital - que fica, geograficamente falando, o mais longe possível do rio Madeira (que margeia a parte oeste de Porto Velho). A zona leste é a menos prestigiada e mais abandonada pelo poder público da cidade: mais uma prova de que os ribeirinhos atingidos pela cheia são tratados como marginais. Detalhe: uma das beneficiadas deu entrevista para o Diário da Amazônia, reclamando que estava esperando essa casa que saiu agora desde 2008, pelo Minha Casa, Minha Vida. Entendo que não apenas os afetados pela enchente de 2014 tiveram direito a essas casas, mas também os que estavam na fila.

Uma das consequências da cheia de 2014 nas terras do Jairo é que um igarapé que ficava a meio caminho - a pé, diga-se de passagem - da castanheira, se transformou num grande brejo. Damian diz que tem pirarucu e peixe elétrico nessa água parada. Agora, para coletar castanha, só se atravessa o brejo de barco.
Mãe do Jairo admirada com o volume de água, irmã do Jairo "banhando"
Mesmo que o rio não esteja marcando níveis demasiado elevados, o lençol freático está bastante elevado. Narcísio conta que onde mora tem água de poço e que no verão (junho a agosto, quando não chove no Norte) o poço costumava secar. Em 2014 não secou. Muita água à flor da terra.

Em 25 de janeiro do ano passado, a manchete do Diário da Amazônia anunciava o nível de 15m do rio Madeira. Um ano depois, no dia 25 de janeiro de 2015, a cota registrada no Madeira foi de 15,21m. A ANA (Agência Nacional de Águas) apresenta boletins diários de medições. Durante a cheia do ano passado, emitia também boletins mensais, em que todos os pontos medidos dia a dia eram colocados num gráfico, de modo que podíamos acompanhar a evolução da cheia. Durante o pico da cheia, sabíamos mais sobre as medições que fora desse período: a CPRM, por exemplo, publicou boletins diários em março e abril do ano passado, mas apenas um em janeiro e apenas um em fevereiro - quando a cheia estava em formação. Ou seja, era impossível acompanhar a formação da cheia por esse canal.

A história se repete. No site da ANA não há boletins mensais desde setembro de 2014. Os boletins diários mostram pouca coisa em termos de histórico, mas revelam dados escandalosos. Nos boletins da CPRM, religiosamente era repetido que a cota máxima permitida para a Usina de Santo Antônio era de 70,50m. Curiosamente a Usina de Jirau não é mencionada nas medições da CPRM, no entanto sabemos que a cota em Jirau é variável - dentro de um limite entre 82,50m e 90m. No boletim diário da ANA de 26 de janeiro deste ano não há dados de medição na Usina de Santo Antônio para 26/01/15, mas apenas do dia anterior: 70,51m. Ultrapassou 1cm da cota regulamentar.
A Usina de Santo Antônio já foi multada pelo IBAMA por ter ultrapassado 4cm da cota permitida. No boletim de 30/01/2015 aparece a medição de 26/01/2015: 70,61cm. Isso são 11cm acima da cota regulamentar. A Usina de Jirau, que em 01/12/2014 operava com a cota de 85,14m, chegou a ultrapassar a sua cota máxima permitida em 22/01/2015 (90,03m), em 23/01/2015 (90,04m), em 26/01/2015 (90,02m) e em 28/01/2015 (90,01m). Não guardei os boletins de todos os dias, portanto alguma outra ultrapassagem de cota regulamentar pode ter me escapado.

Os reservatórios das usinas hidrelétricas não estão vazios em Rondônia. No entanto, sob a alegação de que os reservatórios das usinas hidrelétricas estão pouco cheios no Brasil e que será preciso recorrer às termelétricas que geram energia mais cara, todos os usuários de energia elétrica do Brasil - exceto no Amazonas, Amapá e Roraima - são obrigados, desde janeiro de 2015, a pagar R$ 3,00 a cada 100 kWh consumidos. Ou seja, o custo é repassado para o consumidor.

Fico me perguntando quanto as duas usinas daqui representam para o suprimento energético nacional.  Porque a energia que sai de Porto Velho viaja pelo linhão até Araraquara (SP) para alimentar um anel que redistribui a energia para o Brasil todo. Jirau encerrou 2014 com 22 turbinas das maiores turbinas no Brasil funcionando, Santo Antônio está operando com 32 - também de 70mwh cada.

Os telejornais nacionais (Bom Dia Brasil e Jornal Nacional) mencionam a chuva no Norte e lamentam extensamente a ausência de chuvas no sudeste. A pauta da seca e da crise de abastecimento de São Paulo é tratada como se afetasse o Brasil todo. Em nenhum momento os jornais de alcance nacional fazem o contraponto do Norte com o Sudeste. Abundam dicas de economia de água, reportagens sobre restaurantes que se acham mega ecológicos ao substituir sua louça de porcelana e vidro por plástico (evitando de pensar que descartar tanto plástico sujo não é nada inteligente) e denúncias de desperdício de água. E aqui, em Porto Velho, onde já foi declarado estado de atenção devido aos 15,48m do nível do rio e até as usinas desrespeitaram suas cotas máximas permitidas mais de uma vez, o desperdício de água entrou na pauta. Segundo o Diário da Amazônia, o desperdício da água tratada em Rondônia chega a 52,8% - grande parte por causa de vazamentos na tubulação.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Suspeitos são terroristas e terroristas não têm direito à defesa

Eram dois irmãos os suspeitos de terem explodido duas bombas na maratona 2013 de Boston: um morreu logo em confronto com a polícia, o outro foi condenado à pena de morte ou prisão perpétua - essa é a margem de barganha do sujeito que se declara inocente. As provas que conduziriam o juiz a concluir que o suspeito é mesmo culpado são um bilhete e a história pregressa (informada pela Inteligência Americana) do rapaz. As afirmações de parentes de que ele merece morrer não são prova de que ele é terrorista e fez uma bomba explodir.

Eram três os suspeitos de terem matado 12 pessoas no jornal francês. Dois irmãos e um cunhado. O cunhado "se rendeu", segundo a mídia. Não sabemos se está preso, se é inocente, se houve investigação. Houve caçada aos dois irmãos que hoje foram mortos pela polícia francesa. Os mortos não podem provar sua inocência.

Suspeitos de terrorismo desencadearam, por um lado, ataques ao mundo islâmico que beiram o fanatismo e por outro lado, união e solidariedade espontânea e efusiva (porque politicamente correta) aos que foram vitimados (houve 3 mortos e muitos feridos em Boston, em Paris morreram 12 pessoas - ou vitimados psicologicamente, porque o estado de alerta e clima de insegurança foram ativados).

A quem servem esses atos de terrorismo? O que Al Qaeda ou o Estado Islâmico ganham com esses atos de terrorismo não reivindicados por eles, mas retraçados a eles pela Inteligência Americana? Por que o sequestro de hoje (há informações de que os sequestradores teriam sido mortos pela polícia concomitantemente com os irmãos - supostos terroristas) aconteceu em um mercado judeu? A disputa entre judeus e islâmicos foi transplantada da Palestina para a França?

Poucos dias antes do ataque a Charlie Hebdo, a islamofobia reuniu milhares em praças públicas na Alemanha, como se fosse normal e justo considerar o diferente como inferior. No mesmo dia do ataque ao jornal parisiense, uma mesquita foi explodida em Paris - mas isso não é terrorismo. A TV brasileira passou em tempo real a caçada a dois suspeitos, reafirmando continuamente a escassez de informações.

Suspeito que os atos de terrorismo não servem a terroristas externos, mas para aumentar coesão e controle internos do local que sofreu o ataque.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Floripops

Jairo e Siomara
Numa breve passagem por Porto Alegre, logo depois de Gramado, vimos Jairo e Siomara no Parque da Redenção. Ali combinamos de visitá-los em Canasvieiras, Floripa.
Luis e Lou
De Curitiba, então, partimos para Floripa com escala em Joinville.

Logo cedo de manhã Jairo vai pra praia e ajuda a arrastar a rede que traz muitos siris, peixes e águas-vivas. Essa é a garantia do almoço saudável para a família. E de manhã é possível caminhar/correr na praia. De tarde a maré sobe, encurtando a faixa de areia lotada de turistas queimados de sol.
Siri do arrasto da manhã
Percebo agora que tirei bem poucas fotos da nossa vivência com a família de Jairo, Siomara, Jarina, Uirá, Sirius Black (o cachorro) e Perebas (o hamster. Gostei do hamster!).
Peixe (Paraty) do arrasto da manhã
Não tratei o peixe, nem vi os siris morrendo na água quente. Simplesmente sentei na mesa e comi peixe fresco, pescado no dia, muito bom. Quando Luis e eu coletamos caracoles nas pedras da prainha (entre Canasvieiras e Jurerê), ajudei a preparar os caramujos - e comi quase tudo depois, porque o pessoal achou esquisito demais comer caracoles.
 
Siri na mesa
Na mesa
Teve um dia que acabou a água da torneira. Todos lembraram do verão em que Florianópolis estava lotada de turistas e houve interrupção do abastecimento de água e os turistas foram embora decepcionados/frustrados/com raiva. Por sorte, não tinha acabado água na cidade, mas alguém tinha fechado o registro da rua, interrompendo o abastecimento da casa. O curioso é que, dormindo de tarde, depois do almoço farto, eu sonhei que o problema e a solução era o registro...
Uirá
Lemos nos jornais que no primeiro fim-de-semana de janeiro, depois da virada do ano, o perfil do turista mudaria. Nossa esperança era que os turistas fossem embora, mas o jornal parece ter tido razão: saem os foliões e chegam as famílias. Quando fomos na Lagoinha, Luis e eu nem animamos de caminhar até a outra ponta da praia, passando por todos os guarda-sóis, desviando de todas as crianças, bolas de futebol e frescobol. Reparamos que os vendedores ambulantes tinham se adaptado aos turistas argentinos: anunciavam "milho" e "choclos", "choripãn" e os espetinhos eram "xixo".

No último dia na praia, decidimos nos despedir direito da praia. Caminhamos/corremos até a ponta de Canasvieiras, onde as ondas não chegam na areia, mas na vegetação do mangue que se estica em direção ao mar. Quando a água bateu no umbigo e começamos a ver peixes maiores beirando o mangue, resolvemos voltar. Toda a água daquela ponta até o pier (2km?) estava marrom escura, cheia de matéria orgânica. O vento mudou a paisagem de um dia pro outro. Assim é o mar: sempre o mesmo, mas sempre diferente. De noite, Jairo ainda nos chamou pra ver um peixe desse tamanho assim, ó, que tinha chegado na praia. Era grande mesmo, com a boca bem deformada. Sempre o mesmo, mas sempre diferente.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Desumanização

Perguntei pro Luis o que ele faria se fosse morador de rua. Ele disse que tentaria organizar os moradores de rua, criar um movimento social. Me dei conta de que os homens de rua que vejo são indivíduos isolados (uns dos outros e da sociedade).

Num artigo que li sobre a relação de drogas com sociabilidade, o isolamento aparece como um dos grandes responsáveis por nossas obsessões. Somos muito frágeis, quando isolados dos outros.

E quando nos juntamos em sociedade (maior e mais heterogêneo que comunidade), tendemos a isolar membros da sociedade. Criamos distância dos mendigos, dos trabalhadores de frigorífico, dos dirigentes. Pelo que entendi do Philosophy Talk intitulado Humanity Violated, um motivo que nos leva a desumanizar o outro (que é do nosso mesmo tipo, espécie, condição = humano) é poder. Para ter poder sobre o outro, distanciamo-nos dele, usamos metáforas para inferiorizá-lo.

O que os homens de rua e as classes trabalhadoras não têm é poder aquisitivo. E qual é o contraponto? Caixas enormes, com ar condicionado, musiquinha e segurança em que as pessoas humanas são encorajadas a mostrar seu poder aquisitivo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Curitiba

Pensamos numa cidade localizada entre Porto Alegre e São Paulo que não seja alvo de turistas nesse fim de ano. Chegamos a Curitiba. Os preços de hotel pareciam razoáveis, conseguimos passagens de avião e fomos. Luis precisa de silêncio e calma para escrever, afinal, o homem tem uma tese para entregar.

Assim que chegamos, notamos que a cama era desastrosamente disforme. Passamos o primeiro dia em Curitiba vendo, paralelamente, outros hotéis e como conseguir uma cama dura neste hotel. Na manhã seguinte o colchão foi trocado por um novo (tirado do plástico). Fomos ao Mercado Municipal e voltamos carregados de frutas frescas, secas e nozes.

Notamos que grande parte do comércio da cidade está fechado por causa do fim de ano e aprendemos (com sorte) que é preciso ligar antes de ir ao restaurante, para saber se está aberto. Caminhamos uns 4km até chegar a um restaurante japonês - ainda bem que estava aberto e que a comida era boa e o preço justo. Os outros restaurantes no caminho estavam fechados.

Estamos hospedados bem perto do Passeio Público, que começou como zoológico e ainda mantém algumas aves em jaulas. Talvez a população de homens de rua no centro de São Paulo seja tão grande (guardadas as devidas proporções) quanto aqui. Mesmo assim, o número de homens de rua sentados em bancos de praça com olhar vazio, dormindo em cantos ou na grama mesmo, conversando com alguém que a gente não vê, mancando apressadamente ou protegendo suas feridas é grande. Concentram-se no Passeio Público e praças do centro. No Parque Tanguá, nas beiras da cidade, havia três, um em cada banco, na parte de cima, onde turistas se aglomeram em poses soberbas para selfies na fonte.

Numa de nossas caminhadas, vimos um shopping cuja fachada era tomada por propagandas da Louis Vuitton e Prada. Entramos, para ver como é um shopping ostentação. Logo na entrada, dois guardas, um homem e uma mulher, posicionados a 20 passos um do outro, encaram as pessoas que entram no recinto. Não dão as boas-vindas, intimidam com o olhar quem não pode gastar ali. A sensação de andar por corredores largos e pátios externos ouvindo musiquinhas soft e sendo sempre vigiado é como estar numa bolha, em que a segurança e o conforto são mantidos com muito custo.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Gramado

Oma e Luis
Todo Natal em Gramado é diferente. Dessa vez, a novidade foi o Luis. Estivemos em Gramado em dezembro de 2013, mas foi para o nosso casamento. O Natal nós passamos em Cachoeiro de Itapemirim, com o pai do Luis.
Ruth e Gerhard
Gerhard recuperou as forças para o Natal, conforme ele tinha se proposto. Tinha tido um anúncio de infarte, emagreceu muito e deixou todo mundo preocupado.
Gabriela e Keki
Gabriela está grande, descobriu que o problema não era leite e parece uma mini-adulta conversando na mesa.
Lou&Luis
Fomos visitar Harro, meu pai biológico. Luis e Harro se entendem muito bem e sou grata ao Luis por facilitar esses encontros que não são fáceis pra mim.
Harro Kleppa

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

No sítio

Daniela, Gu, Du, Tia Sonia, Luis, Tio Rodrigo, Darinha (escondida) e Soninha
Luis e eu fomos visitar a família mineira (a parte da mãe do Luis) e passamos o fim de semana no sítio, a uma hora de Belo Horizonte. Casa cheia, mesa farta e muita conversa.
Casa de periquitos
Tio Rodrigo é criador de passarinhos. Vimos pintagóis de variadas cores, canários, pintassilgos e periquitos. Quando chegávamos perto, um silêncio inusitado de poucos segundos interrompia a conversação constante dos passarinhos.
Urucum
Numa manhã, saímos para caminhar e só voltamos pro almoço. No dia seguinte, senti a musculatura reclamando. Muito bom caminhar em estradas de chão, lembrei da Estrada Real.
Genial

Eu
E antes de partir, um pequeno convite à recordação da infância: cigarras.
Casca de cigarra

domingo, 21 de dezembro de 2014

Santa Teresa

Luis tinha uma reunião marcada no BNDES, o prédio preto atrás do cone iluminado (que é uma catedral). Fomos os dois para Santa Teresa, de onde se vê a cidade do Rio de Janeiro. A vista é linda, mas os preços lá em cima infelizmente são para turistas. Aliás, percebemos que muitos estrangeiros moram em Santa Teresa. E outra: os taxistas não gostam de subir o morro.

Gostei muito de ver o bonde (nos adesivos nos carros, nos bottons, nas camisetas) amarrando a identidade de Santa Teresa. Se o bonde funcionasse, não haveria necessidade de tantos ônibus com motoristas raivosos e velozes, não haveria tantos carros estacionados ao longo das ruas estreitas e não haveria tantos acidentes.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Desbarrancados

Esposa do Zezinho e a rachadura no chão
Luis e eu fomos até a casa do Zezinho, no Belmont, para pedir ajuda para transportar a placa grande, e nos deparamos com uma estrada péssima de um lado e o desbarrancamento da margem do rio de outro lado. A Estrada do Belmont, principal acesso ao porto - Porto Velho é uma cidade portuária - está toda esburacada. A casa do Zezinho fica entre a estrada e o rio que está engolindo diariamente a margem direita do baixo Madeira.
Desbarrancamento

Zezinho diz que o desbarrancamento acelerado e concentrado nesse tempo e espaço se deve à atividade dos garimpeiros que dragam o leito do rio. Ao retirarem terra do meio, fragilizam as margens.
Fofoca: conjunto de dragas
Acreditamos que a atividade garimpeira tenha influência no desbarrancamento da margem, mas não acreditamos que as fofocas sejam as únicas responsáveis por isso, já que sabemos que desde 2012 a erosão a jusante de santo Antônio é devastadora. O Bairro Triângulo está sendo destruído desde então pela força das águas que saem da usina.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Arirambas: placa, animais e frutas

Damian segurando a placa pequena
Luis e eu mandamos fazer duas placas (uma grande, outra pequena) para demarcar a terra titulada do Jairo, em que fica a reserva ecológica do Arirambas. Quando a grande estiver instalada, tiramos outra foto.

Seis pintinhos novos
Damian nos atualizou sobre os animais domésticos: morreu um frango, nasceram seis pintinhos. O coelho continua bem e Tucumã é um bom companheiro.
O coelho
 Falou também dos macacos, sapos e passarinhos. Tudo se mexe o tempo inteiro na floresta.
Damian e Tucumã
 Como ele tinha coletado castanhas recentemente, nos deu três ouriços.
Ouriços de castanha
Saí rodeando a casa, tirando foto do que tinha nascido/ dado pra mostrar pra Siomara, Jairo, Jarina e Uirá.
Esqueci o nome, mas não é babaçu

Cupuaçu

Pupunha

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Castanha fresca

Ouriço de castanha com 21 castanhas dentro
Castanha com casca e sem casca
Aqui no norte, onde se produz castanha, é costume comer a castanha fresca. O que se compra no supermercado é a castanha seca, desidratada e no vácuo, bem diferente da castanha fresca, que tem uma consistência quase de coco.

A castanha mais fresca que eu comi na minha vida foi a que Damian tirou do ouriço, depois tirou um lado da casca, Luis e eu descascamos. Narcísio estava com a gente embaixo da castanheira.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Meus dentes de volta

Minha dentista tinha marcado, mês passado, de fazer o molde para a contenção móvel num dia de dezembro e dois dias depois retiraria o aparelho fixo. Como ela tinha ficado de me passar o valor do aparelho móvel que eu vou ter que usar por 6 meses (depois de 1 ano e 7 meses de aparelho fixo), liguei lá no consultório. Descobri que a minha dentista estava em Fortaleza, no hospital. Outra dentista me atenderia nos dias marcados. Essa outra dentista não acreditou que os aparelhos móveis (superior e inferior) ficariam prontos em dois dias, mas manteve as datas.

No primeiro dia, ela fez o molde (tive que explicar todo o meu histórico pra dentista nova, inclusive justificando por que a contenção inferior tinha que ser móvel, não fixa: porque os molares foram movidos e a contenção fixa não atinge os molares). No segundo dia, cheguei no horário marcado e fui submetida aos piores barulhos que um consultório odontológico tem para oferecer. Saí de lá com o aparelho móvel superior na boca. O inferior ... bem: "não explicaram direito pro protético que a contenção inferior era móvel, e como ele quase nunca faz contenções inferiores móveis, ele fez uma fixa". Tive que voltar lá de noite e agora estou com 2 aparelhos móveis que só devo tirar para comer.
Agora escovar os dentes é uma atividade fuida, lisa até. Passar fio dental agora demora 5 vezes menos tempo que com o aparelho fixo. E eu consigo assoviar de novo!

sábado, 29 de novembro de 2014

Ciência por encomenda

Está rodando na TV aberta uma campanha da Santo Antônio Energia. A primeira peça publicitária foi exibida em meados de novembro. Uma moça anuncia um livro chamado "Peixes do Madeira", patrocinado pela Santo Antônio Energia, em que são catalogados todos os peixes encontrados no rio Madeira antes da construção da hidrelétrica. A moça diz que o livro foi lançado "há pouco".

Fui ao site da Santo Antônio Energia e conferi que os 3 volumes foram publicados em 2013. Pois é: 2014 está quase acabando e o livro foi lançado "há pouco". O deslocamento não é só temporal, mas também é ético: uma usina hidrelétrica financia um estudo para inventariar todos os peixes que havia no rio antes de exterminá-los. Entendo o livro como uma tentativa de empalhar um exemplar de cada espécie nova, rara, desconhecida e de uso comercial antes da implantação da barragem.

Catalogar a diversidade biológica - sabendo que a vida de todos os animais catalogados está ameaçada por quem paga o estudo - é fazer ciência?

A segunda peça publicitária é sobre o pirarucu de cativeiro criado no Reassentamento Santa Rita (responsabilidade da Santo Antônio Energia). A mesma moça anuncia euforicamente que agora há mais pirarucu em cativeiro que no rio Madeira. Isso é monocultura, homogeneização da vida. O que aconteceu com a biodiversidade celebrada em "peixes do Madeira?"

Desde 2012 os pescadores perceberam que o peixe que estavam acostumados a pescar sumiu. Tiveram que pescar mais longe, tiveram que pescar outros peixes. Com a cheia de 2014, pela qual as usinas são co-responsáveis, o ecossistema foi drasticamente transformado. Com a cheia, todos os lagos-refúgio em que havia alevinos (peixes jovens) foram transformados em rio de lama. Os locais de desova foram desfigurados. Os ribeirinhos anunciam agora uma grande crise do peixe nos rios.

Enquanto isso, Rondônia se transforma no maior produtor de peixes em cativeiro com a ajuda da ciência e tecnologia. Essa ciência, que aceita compromisso com uma empresa, não se interessa pelo ciclo da vida, mas pela geração de lucro.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ciência e divulgação

Quando estive na Holanda, em Nijmegen, fui estudar Teoria da Adaptação com Herman Kolk, autor da teoria. Toda a teoria baseia-se na assunção de que a fala afásica não é resultado direto da lesão cerebral, mas de uma adaptação que o sujeito afásico faz à sua lesão. Essa adaptação, no caso de pessoas com fala agramática, seria temporal: o sujeito percebe que, devido às pressões da situação do diálogo, não tem tempo para encontrar e combinar as palavras, então fala "telegraficamente".

Cheguei em Nijmegen com dados de MS e OJ, sujeitos brasileiros que falam português. Kolk não entende português, mas compartilhamos as categorias de palavras. A solução encontrada pelo meu orientador foi transformar os dados em números. Pediu que eu contasse omissões, substituições e acertos de preposições. Fiquei intrigada: se a teoria toda foca não na lesão, mas na adaptação, se o analista estuda o que é de fato falado, não o que "foi perdido por causa da lesão", posso ainda falar em omissões e substituições? Comentei com Jonas (estudante) que estava diante de uma incoerência teórica. Jonas respondeu, mais ou menos, uma citação que encontrei ontem na Autobiografia científica de Max Planck:

"Uma nova verdade científica nunca triunfa porque se consegue convencer os adversários, mostrando-lhes argumentos. Novas verdades científicas só são possíveis quando os teóricos adversários morrem e surge uma nova geração para a qual a novidade faz sentido." (adaptado p. 30)

Brinquei dizendo que não adiantava esperar o teórico morrer, porque ele tinha discípulos. Já de volta ao Brasil, e com um senso de necessidade de justificar a minha bolsa na Holanda, escrevi um artigo fruto do meu trabalho na Radboud Universiteit. Kolk assinava comigo um texto em que eu não contabilizava omissões nem substituições, mas analisava o que tinha sido dito; e mandei o texto pra Aphasiology. Voltou com pedido de correções. Corrigi, mandei pro orientador ver as mudanças. O orientador estava de mudança para os Estados Unidos, não teria tempo para ver o texto e pediu para que eu retirasse o seu nome do artigo. Tirei o nome dele e mandei pro periódico. Responderam que não publicariam o texto.

Mandei pro Journal of Neurolinguistics e obtive resposta no dia seguinte: seu texto foi rejeitado sem ter sido encaminhado a pareceristas porque não se encaixa no perfil da revista. Me pergunto se o texto teria sido ao menos avaliado se o nome do Kolk constasse duas linhas abaixo do título.

Essa foi a primeira barreira na minha vida de pesquisadora. E foi a primeira vez em que eu me coloquei no papel de contestadora de uma "verdade". Entendi que não era exatamente o conteúdo do meu trabalho que estava sendo cogitado para publicação, mas o sobrenome de quem assina o trabalho. A lista de revistas que rejeitaram meus textos é grande, e isso talvez tenha a ver com o fato de que eu não construí uma carreira com um único tema. Das preposições migrei para o agramatismo, dali para as marcas de oralidade nos textos dos meus alunos, dali para os sinais de pontuação.

Em todos esses anos, recebi pouquíssimas críticas. Aconteceu de eu apresentar um trabalho no GEL para a monitora da sala, porque não havia mais ninguém na sala. Tenho a impressão de que as críticas ao meu trabalho não vêm dos pesquisadores que leem o meu trabalho publicado, mas das pessoas que decidem se ele será publicado ou não. E mesmo esses pareceristas têm, na minha experiência, rejeitado ou publicado, sem se debruçar sobre o tema.

A ciência é feita por pessoas. A divulgação da ciência é feita por pessoas. Se a ciência pretende produzir conhecimento, os divulgadores da ciência deveriam explicar por que rejeitaram determinados trabalhos, porque esse conhecimento sobre as fragilidades do trabalho ajudam o pesquisador a repensar o seu trabalho.

Recentemente me inscrevi para o congresso da ABRALIN com um trabalho sobre o sistema de sinais de pontuação. Havia milhares de simpósios em que eu poderia submeter um resumo do meu trabalho. Escolhi um e mandei o resumo - depois de pagar a anuidade da Abralin. Não recebi a carta de aceite no prazo estabelecido pela organização, então escrevi para as coordenadoras do simpósio e para a Abralin. Demorou, e quando veio a resposta, foi indireta: acesse sua área restrita no site do congresso. Acessei. Não havia parecer, não havia justificativa. Estava escrito reprovado. Pensei: ok, as coordenadoras do simpósio não me conhecem. E como quase não há estudos sobre os sinais de pontuação, nem devem imaginar como se estuda isso de maneira diferente do que existe nas gramáticas. Continuei pensando: errei de simpósio. Talvez, se eu tivesse inscrito o trabalho em outro simpósio, teria o trabalho aceito. Impossível inscrever-se em outro simpósio apesar das inscrições ainda estarem abertas. Perguntei na organização do evento e confirmaram: impossível.

Cynthia me contou que uma vez participou de um congresso da ABRALIC. Pagou anuidade e inscrição, foi, apresentou e voltou. Dois congressos da Abralic depois, resolveu submeter trabalho lá de novo. Só aceitariam proposta de trabalho se ela pagasse as anuidades dos anos em que não participou do evento mais aquela anuidade atual. O congressos por acaso são clubes?

Ontem Marcelo Gleiser, maior divulgador de ciência escrevendo em jornal no Brasil, se despediu de sua coluna dominical na Folha. Foi expulso do clube? Recebo e-mails de periódicos oferecendo publicação em troca de dinheiro. Me convidam para entrar no clube? A Capes incentiva os seus bolsistas a publicarem, divulgarem seus trabalhos, mas não repassa a segunda metade do orçamento anual (para o PIBID, do qual sou coordenadora institucional), de modo que os bolsistas ficam sem passagens e sem diárias. O clube fechou?

domingo, 23 de novembro de 2014

Ecológico

Estou dando um curso de Introdução à Linguística do tipo que passamos por algumas disciplinas da Linguística (Fonética, Fonologia, Morfologia, Semântica, Sintaxe e Pragmática). Quando fui corrigir o exercício de Semântica em que eu pedia que fornecessem exemplos (sem a definição, sem sinônimos) para algumas palavras, fui surpreendida com as respostas dadas no item ecológico.

Apareceram respostas que eu agruparia em três conjuntos: 1) ecológico é lá fora e lá longe, 2) ecológico é um produto que se compra/descarta, 3) ecológico é uma ação que não degrada o meio ambiente. Exemplos:

1) ambiente ecológico, parque ecológico, jardim ecológico, espaço ecológico, passeio ecológico;
2) carro ecológico, produto ecológico, lixo ecológico, rack ecológico, sofá ecológico, blusa ecológica, papel higiênico ecológico, sacola ecológica;
3) andar de bicicleta é ecológico.

Perguntei quantos na sala andam de bicicleta para a escola/trabalho, como constava nas respostas do exercício. Ninguém. 

Desde que nos ajuntamos em cidades, entendemos que a Natureza fica fora da cidade. Se tudo que está dentro da cidade não é natural nem selvagem, nossos animais de estimação se transformam em filhos. Para ter contato com a Natureza, é preciso sair da selva de pedra, por isso o meio ambiente, a Natureza ficam longe de nós e se transformam em programas de fim-de-semana.

Desde que entraram na moda, "sustentável" e "ecológico" são adjetivos que promovem produtos que, para serem produzidos, poluíram/degradaram muito. Não existe carro ecológico por definição - não só por causa do consumo de combustível (cuja obtenção não se dá sem impactos), - mas também por causa de sua produção: no processo de produção do carro, muitos excessos que não se decompõem na Natureza são gerados. Não existe lixo ecológico por definição - porque se o resíduo voltar a ser incorporado pelo ecossistema, não se trata de lixo, mas de adubo.

Se eu tivesse pedido, no exercício, que  fornecessem exemplos com a palavra "sustentável", é possível que tenha aparecido coisa pior. Desde que entraram na moda, essas duas palavrinhas acompanham qualquer nome de produto ou empresa, vide Energia Sustentável do Brasil (ESBR), o consórcio da UHE Jirau. Lembra da "Revolta de Jirau" em 2011? Lembra das famílias ribeirinhas que moravam em Mutum-Paraná que foram removidas pela Jirau para a company town da empresa, onde ficam alojados os trabalhadores da usina? Lembra da cheia histórica de 2014 que alagou parte da Bolívia? Energia Sustentável do Brasil.

Mas professora, disseram, se ecológico não é nem a natureza, nem as coisas que a gente compra, nem aquilo que a gente acha legal, mas não faz, então qual era a resposta certa?

Respondi que não havia resposta certa, mesmo porque o exercício pedia que escrevessem frases em que a palavra é exemplificada. O que eles responderam foi um reflexo do pensamento e uso da palavra nessa sociedade consumista em que estamos imersos, não uma reflexão sobre o significado de ecologia/ ecológico em si mesmo. Disse que eu esperava que eles fizessem a filosofia da palavra ecológico.

Ah, não! professora, nem me fale em Filosofia porque todo mundo dessa sala aqui reprovou em Filosofia.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A minha voz



Quando fizemos a pré-estreia do documentário Entre a cheia e o vazio na UNIR, Heloisa comentou que "ficou parecendo uma coisa TV Cultura, a narração". Confesso que sempre admirei a narração de Valéria Grillo no programa Planeta Terra (na TV Cultura) e fiquei surpresa com o fato de ela ter identificado "essa coisa TV Cultura" no documentário.

No dia da premiação no Fest Cine Amazônia, fui entrevistada por uma moça que elogiou a minha voz. Na aula de ontem, uma aluna (que ainda não viu o documentário) veio me dizer que um dia comentou com uma amiga de outra universidade que tinha uma professora (eu) com uma voz bonita e que a amiga tinha respondido: por acaso é uma professora que eu entrevistei no Fest Cine Amazônia?

Mandei o link do filme para vários amigos que eu não via há tempos; e aos poucos fui recebendo suas respostas. Junior, irmão tapioquense, disse que ficou com saudades ao ouvir minha voz. Telmo disse que ainda não tinha assistido o filme todo, mas tinha gostado da narração. Odir, um amigo que eu nunca vi ao vivo, logo perguntou se a narração era minha.

O filme rodou alguns sites, e no Diário do Centro do Mundo, o único comentário é praticamente uma reclamação da "voz irritante da narração". Achei curioso que a minha voz tenha virado objeto estético, quase se descolando do conteúdo que ela profere.

Queria que a minha voz servisse de guia, de fio condutor do filme, de alerta. Queria que a minha voz denunciasse que a seca em São Paulo e a cheia em Rondônia são ambas resultado de má gestão dos recursos hídricos e que os fenômenos climáticos são usados como escudo para fugir à responsabilidade pelos danos causados. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Pequenas alegrias na sacada

Flor de tomate que foi polenizada manualmente

Tomatinho

Tomates ainda verdes

Folhagem

Flor da alfavaca

Acompanhando o crescimento da suculenta no ouriço de castanha

Suculenta que Liz nos deu em Castelo/ES

Sininhos ultrapassando os limites da sacada