sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Momo reversa

Momo, de Michael Ende, vive num mundo dominado pelos senhores cinzas. Pra Agnes, "cinza" ainda não existe.

Azul foi a primeira cor que ela denominou. Em seguida veio rosa. Depois de um tempo, apareceram verderoxo e pêtu. Depois de longo tempo de consolidação das cores que ela já dominava, vieram memelho e manelho. Grande surpresa foi marrão. Raramente aparece nalanja, e na maioria das vezes é associado à fruta. Branco entrou em algum momento como weiss.

Falta o que? Grau, gris, cinza, grey.
O mundo de Momo virá por último, por enquanto a infância é arco-íris.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Pouco antes de chegar

Eu vi a picada no meu braço, bem na dobra. Achei que era mosquito e fui invadida pela lembrança dos fatos que minha memória tinha empurrado pro porão.

Eu tava contente e achando que a viagem tava terminando e não haveria mais surpresas quando acertamos o caminho mais curto da casa do Ernesto para a Bandeirantes e quando depois, apesar de termos saído da Marginal Tietê e entrado na Dutra por engano, conseguimos acertar a Localiza, devolver o carro e fazer check-in. Daí começou a dor de cabeça e os remédios já tinham sido despachados.

Uma ginecologista em Santa Maria tinha diagnosticado que eu tenho tanta dor de cabeça, que me dá náusea e vômito. Receitou remédio pra dor de cabeça. O médico que me atendeu no hospital agora desconfiou que eu sofra de enxaqueca.

Fato é que comecei a querer vomitar no avião. Me ofereceram gelo e não consegui mais controlar a náusea e vomitei a viagem inteira, em intervalos de mais ou menos 10 minutos. Me ofereceram Dramin, tomei dois. Me ofereceram Jofix, não adiantou. É um impulso neurológico. O cheiro da comida, os chutes do menino sentado na poltrona de trás, o balanço do avião durante as turbulências, o choro da Agnes: tudo era gatilho pra vomitar o que não tinha. Quando sobrevoamos Cuiabá, me perguntaram se era pra descer. Eu não faria isso com todo mundo, o voo era direto e isso é raro.

Luis sentou em outro lugar, a comissária de bordo sentou do meu lado e ficou trocando um saquinho de enjoo usado por um novo. Fomos os primeiros a desembarcar, a equipe de bordo ficou cobrando da equipe de solo o atendimento médico solicitado assim que eu recusei o pouso em Cuiabá. Chamaram o SAMU (porque a ambulância da Unimed só em casos internos de remoção de paciente e outras exceções). Encontramos a ambulância antes das enfermeiras nos encontrarem.

Eu fui de ambulância pro hospital (claro que vomitei mais uma última vez), Luis, Agnes e as malas foram de taxi. Tomei medicação e soro na veia. Agnes não conseguiu dormir na sala de observação, nem eu. Alta madrugada chegamos em casa. Essa foi a primeira vez que as minhas náuseas me levaram (e a minha família e as malas) pro hospital. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Apabô

Durante essa viagem, Agnes desenvolveu rapidamente a fala. Ela não produz os róticos (variantes de [r]), trocando-os por [l] quando intervocálicos (ex: tila ao invés de tira) ou simplesmente omitindo-os (ex: Pêdu ao invés de Pedro). Os sibilantes também não estão estabilizados. Reparei que em palavras com 3 sílabas, a tônica é reduplicada e a primeira cancelada (sassaku ao invés de casaco/ memente ao invés de semente). Desconfio que se trate de um processo de assimilação (apabô ao invés de acabou) em que ela percebe a sílaba tônica e organiza sua fala em torno dela.

Um pouco mais de um mês fora de casa, percorrendo o litoral de Fortaleza a Ubatuba e a fala desabrocha. Em outra viagem, de duas semanas, também longe de casa (Alemanha), ela aprendeu a andar.

Nesse tempo fora de casa, a grama cresceu, o bambu no muro da Vila foi cortado, 4 dos nossos 7 porquinhos da índia morreram (chuva e mucura), o mofo tomou conta de colares e sapatos e Damián fez uma pérgola pras nossas trepadeiras.

Parquinhos

Outlet de Feira de Santana/BA
Parque da Jaqueira, Recife/PE
Parque da Jaqueira, Recife/PE
Praça do Museu de Arte Moderna - Aterro do Flamengo/RJ
Praça do Coco, Barão Geraldo - Campinas/SP
Praça do Coco, Barão Geraldo - Campinas/SP

domingo, 21 de janeiro de 2018

Pedro

Eliza, Agnes, Ernesto, Pedro e Rodrigo
A primeira paixão da Agnes foi pelo Pedro, primo mais novo dela. Isso foi em agosto do ano passado, quando pousamos em Campinas antes da grande viagem pra Alemanha.

A segunda grande paixão foi por outro Pedro, filho mais velho de Marcão e Kika, que ela conheceu em Ubatuba. Ainda com este Pedro na cabeça, foi rever o prim(eir)o Pedro e o entusiasmo não foi diferente. Pêdu, Pêdu, Pêdu pela casa toda.
Bolhas de sabão

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Infinita highway

Tínhamos calculado que era mais barato devolver o carro alugado no mesmo lugar em que foi retirado e voar para outra cidade do que pagar a taxa de deslocamento que a locadora cobra. Pegamos o carro no Rio, rodamos pra Cachoeiro e adjacências, descemos pra Macaé e seguimos pra Ubatuba pela BR 101. Relembrei a viagem de bicicleta que fiz em 2006. Os 70km entre Paraty e Ubatuba eu tinha feito em um dia. De carro dava pra fazer mais num dia, mas foi o dia todo de curvas, radares, ultrapassagens e paradas em posto. Lá fomos acolhidos por Marcão, Kika, Dona Guega, Pedro e Miguel. Agnes se encantou com o Pedro e encantou a todos.

Caímos na tentação de assumir os custos da taxa de deslocamento, já que o nosso destino seguinte era São Paulo, mas a multa de cancelamento do avião era mais cara que a passagem. Então voltamos ao plano original: subir a Oswaldo Cruz até Taubaté, pegar a BR 116, devolver o carro no Rio, embarcar no avião e voar pra Guarulhos. Foi o dia todo de curvas, radares, ultrapassagens e paradas em posto.

Olhando pela janela do avião, notei que a rota era pelo litoral. Se houvesse luz, veria a 101 serpenteando a costa. Fizemos em 45 minutos o que demoramos o dia todo pra fazer por terra.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Jurubatiba

A melhor parte de Macaé é desconhecida, de acesso pouco óbvio e mal sinalizado. Trata-se do Parque Nacional de restinga da Jurubatiba. Agnes fez um pouco de trilha, achou o máximo ter o mar de um lado e a lagoa do outro e brincou na areia do rio.
Ficamos bastante tempo observando a diversão da nossa menina. Entrava na água escura sem medo, voltava, cavava na areia, buscava conchinhas.
Parado na água, Luis percebeu peixinhos mordiscando suas pernas. Ainda tinha biscoito na bolsa, então passamos a provocar grandes disputas dentro d'água. Muito peixe é sinal de água limpa.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Vovó Madá

Agnes e Madá estão se divertindo muito. Madá lembra de muitas musiquinhas (que eu estou aprendendo agora).

Monte Verde e Pedra Azul

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A ideia era passar o dia no clube de golfe Monte Verde, mas choveu e não pudemos andar de pedalinho na lagoa, brincar no parquinho etc. e tal. Andamos de trenzinho na chuva e fizemos a trilha até a cachoeira debaixo do guarda-chuva. Essa foi a primeira cachoeira que Agnes viu.

Saímos de Monte Verde e as nuvens limparam. Voltamos por Venda Nova e Castelo e no caminho passamos pelo Parque da Pedra Azul. Tinha ali um laguinho com peixinhos que Agnes adorou. Ela aprendeu a jogar pedacinhos de biscoito com entusiasmo.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Marataízes

Saímos de Cachoeiro de Itapemirim depois de umas três chuvas e duas tentativas de dar almoço pra Agnes, na certeza de que era tarde e que o tempo fecharia. Tivemos boas surpresas.
A água estava muito limpa. Vimos tartarugas perto das pedras e cardumes de peixinhos nas piscinas. As pessoas se comportavam como veranistas que saem com os filhos, e não tive o estranhamento que experienciei em Natal, onde me assombrou que todos pareciam ser muito diferentes de mim.
O mar estava calmo, a areia tinha camadas de cores e texturas diferentes, achamos conchinhas e nos divertimos com os peixinhos.
 Agnes está ganhando cada vez mais autonomia.

domingo, 7 de janeiro de 2018

AquaRio

Fomos ao Aquário do Rio e ficamos surpresos com a falta de informação sobre os peixes, o ambiente e tudo mais. A loja, no final do estabelecimento, ocupa quase um terço da área total e o visitante é obrigado a passar pela loja para sair do aquário. Fizemos questão de sair pela entrada.
Outro desconforto nosso foi em relação aos visitantes, que pareciam ver os peixes pela tela do celular. Os monitores do aquário tinham como tarefa principal disciplinar o público em sua sanha de tirar selfies: "entra, tira foto e dá lugar pro próximo", "pessoal, deixem o corredor livre, tirem fotos nas laterais".
Não percebemos no aquário uma proposta pedagógica, nem mesmo minimamente didática. Era a espetacularização dos peixes e da própria visita ao AquaRio. Apesar do nosso incômodo, Agnes adorou o passeio e ficou maravilhada com a vida marinha.

Mamãe, papai, Ánha

Com sorriso satisfeito, Agnes tem repetido "mamãe, papai, Ánha" apontando pra nós e pra si mesma. Nessas férias, em que estamos juntos o tempo todo, ela nos percebe como família. E aprendeu a se auto denominar.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Itabuna

Foto: Fran Fran
Escrever no celular é mais complicado que eu imaginava.
Foto: Fran Fran
Fran e seu amigo de longa data, Samuel, estão nos hospedando em Itabuna. Cynthia está no terreiro, em processo de iniciação. Ontem fomos a Ilhéus, onde Agnes se esbaldou na praia, areia e mar e depois dormiu profundamente no engarrafamento de volta a Itabuna.
Hoje fomos a uma fazenda de cacau. Ensinar a Agnes a cuspir a casca da jabuticaba foi mais fácil que ensinar a chupar o cacau e cuspir a semente: engoliu uma amêndoa.



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Turismo predatório

Não sei se consigo articular por escrito o que foi pensado e dito.

Nos impressionou o avanço do mar em Caponga. Nos últimos 10 anos, o mar tem avançado pra cima das casas situadas mais próximas à praia. Hoje Caponga tem uma orla povoada de ruínas de pousadas grandiosas, casas de praia projetadas por arquiteto no meio da areia e pequenas mansões abandonadas ao tempo. Quem ia construir na segunda quadra depois da praia abandonou o projeto no alicerce; e a pousada em que ficamos estava na terceira quadra, com vista para o mar. Fortaleza e outras praias grandes não apresentam esse problema, porque os espigões controlam e direcionam o mar. E quem recebe a areia toda são as praias menores, como Caponga. Mais areia: avanço do mar. Essas são as zonas de sacrifício do turismo.

A Folha publicou uma relação das condições da água nas praias de todo o litoral. Muitas praias impróprias pra banho. Todas lotadas agora na alta estação.

Sugar o máximo possível do turista, depois esperar outro turista na temporada seguinte. Esse é o mote que explica os preços astronômicos nessa época do ano em locais turísticos. Passamos uma noite em hotel em Salvador e fomos ao apartamento que Luis tinha reservado pelo Booking. Ninguém  nos atendeu, não tínhamos chave nem porteiro com quem conversar. Ligamos pra proprietária que disse que tinha cancelado o apartamento pelo Booking e alugado por outro sistema.

Ficamos na rua. Decidimos sair de Salvador na véspera do Ano Novo e viajamos a Feira de Santana. Nessa cidade, que é maior que a capital em que moramos, o Réveillon foi cancelado, porque todo mundo vai a Salvador. Não escutei fogos de artifício em Feira de Santana.

Esse turismo predatório tem a ver com o consumo de paisagens. A pessoa não sai de casa pra viver uma viagem, mas para ver uma paisagem.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Recife

Marco Zero
Aquele dito popular que o caminho se faz ao caminhar vale pros nossos planos nesta viagem. O trajeto de ônibus de Natal a Recife foi desgastante pra nós pela decepção com a qualidade do ônibus que pegamos. E acumulou asco na Agnes, que sofreu nos ônibus de Fortaleza a Mossoró e depois Mossoró a Natal. Tanto foi que acabei comprando passagens de avião pelo celular e decidimos pular Aracaju, onde passaríamos um dia apenas.
Passeio de catamarã com um Brennand ao fundo
Estive em Recife com Philip, Ruy, Ninja, Fashion (e outro rapaz cujo nome esqueci) muitos anos atrás. Philip e eu subimos de Campinas a Recife de carro em 4 dias e ficamos hospedados na casa do Ruy, que tinha vindo antes de carro com os outros. Ficamos apenas 3 dias em Recife e Ruy nos levou ao Marco Zero (e outros lugares e praias).

Perguntei por WhatsApp pro Ruy qual era o nome da melhor sorveteria do mundo e ele me ofereceu pacote completo com sugestões de passeios. Juntou o passado com o presente no tempo da era digital.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Praia de Camurupim

Demoramos pra decidir alugar um carro em Natal. Depois demoramos a negociar um destino, principalmente porque não lembrávamos de todo o nome da praia que o taxista tinha recomendado: eu lembrava de Caramuru e Luis lembrava de Curumim e Curupira.
Uma parede de pedra forma uma barreira que separa a rebentação de piscinas rasas e calminhas. Pra Agnes isso significou independência pra caminhar na água, sentar e levantar de novo. E a areia era mais fofa e limpa que em Ponta Negra, onde tem muita pedra, caco de vidro e tampinha de garrafa de cerveja. Fizemos o que os nativos fazem, e de fato tinha bem menos gente em Camurupim que no burburinho de Ponta Negra.
Os únicos ambulantes em Camurupim eram vendedores de picolé. Em Ponta Negra, o assédio ao turista é canibal: oferecem óculos de sol, protetor solar, roupas de banho, tatuagens de um dia, colares e pulseiras, comidas variadas, coco, passeios de buggy, barco, em outro lugar e até tem ambulante vendendo picolé. Achei difícil fazer cara de esfinge e evitar o olhar de cada ambulante ou pedinte. Camurupim foi o nosso presente de Natal.

Natal em Natal

Praia de Ponta Negra


domingo, 24 de dezembro de 2017

Ravinas em Lagedo de Soledade

Depois de muita insistência, conseguimos achar o museu aberto e o guia disponível. Claudio nos levou até a ravina mais próxima e nos impressionou com seus conhecimentos adquiridos sobre geologia e paleontologia.
Ver as inscrições rupestres foi emocionante, bem como manter o interesse da Agnes.

Estou postando de um Tablet, digitando todas as letras com o mesmo dedo, sem ver o que escrevo porque o teclado virtual ocupa metade da tela. Confio que as imagens digam mais que palavras.